“Sonho de Ícaro” é uma expressão usada para definir ambições desmedidas, projetos grandiosos que ignoram limites, riscos e a própria realidade. Quase sempre carrega um aviso embutido: pode dar ruim.
A metáfora vem da mitologia grega. Ícaro conseguiu fugir do labirinto com asas feitas de cera e penas, mas, tomado pela euforia, voou alto demais. Aproximou-se do sol, a cera derreteu e ele despencou no mar. A lição é clara: quem ignora limites por vaidade ou excesso de confiança costuma pagar um preço alto.
Pois bem. Em meio à Festa do Padroeiro, o ex-prefeito de Santana do Seridó resolveu externar à imprensa o sonho de ser prefeito de sua terra natal, Parelhas. Nada de anormal. Todo parelhense que vive a política — e gosta dela — nutre esse desejo. Uns de forma silenciosa, outros nem tanto.
A “Festa de Janeiro” passou e com ela o entusiasmo das conjecturas. Ninguém mais fala sobre isso. Em Parelhas, o assunto morreu de morte natural. Não virou pauta, não criou eco, não empolgou.
Já em Santana do Seridó, onde o ex-prefeito foi “rei” por muitos anos, o sentimento de parte da população é outro. Há quem diga que, caso dispute as eleições de 2028, ele poderá enfrentar dificuldades até mesmo para se eleger vereador — avaliação que, particularmente, considero exagerada.
O fato é que o ex-alcaide sonha em voar alto. O problema é que o sol escaldante da política parelhense pode derreter suas asas de cera, fazendo-o cair de forma tão brusca quanto o Ícaro da mitologia — tão bem retratado, aliás, na canção de Biafra, "Sonho de ícaro", sucesso dos anos 80.
Na política, prudência nunca é demais. Talvez seja hora de o nobre ex-mandatário colocar as barbas de molho.


















