sexta-feira, 11 de setembro de 2026

MENDONÇA PROTEGEU TOFFOLI, EXPÔS MORAES E DEU MUNIÇÃO A FLÁVIO: Material estava com ele há sete meses


André Mendonça assumiu o caso Banco Master em fevereiro, justamente depois de Dias Toffoli deixar a relatoria. Segundo o próprio gabinete de Toffoli, as quebras de sigilo do celular de Daniel Vorcaro chegaram ao Supremo após 12 de fevereiro, quando Mendonça já comandava o processo. Portanto, durante cerca de sete meses, o ministro teve sob sua relatoria um gigantesco conjunto de informações extraídas do aparelho do banqueiro, incluindo material que alcançava diferentes personagens do mundo político e do próprio STF.

Mas, até a intervenção do presidente do STF, Edson Fachin, o sigilo que Mendonça decidiu derrubar e que provocou a explosão da crise foi justamente o do material envolvendo Alexandre de Moraes. 


Em 1º de setembro, Mendonça tornou públicos diálogos atribuídos a Vorcaro envolvendo Moraes e encaminhou o assunto à PGR. Enquanto isso, informações relacionadas a outras frentes permaneceram protegidas. 


A própria Polícia Federal levantou posteriormente a hipótese de que Mendonça teria “contemporizado” diante das suspeitas envolvendo Toffoli — avaliação que, é importante registrar, apareceu no relatório como hipótese e sem provas apresentadas naquele documento.


A escolha teve uma consequência eleitoral evidente: Moraes, principal antagonista do bolsonarismo no STF, virou o centro da crise exatamente quando Flávio Bolsonaro disputa a Presidência. O próprio Flávio e outros candidatos aproveitaram o episódio para atacar Moraes e sair em defesa de Mendonça. 


Ao mesmo tempo, o caso Dark Horse — que envolve o financiamento por Vorcaro de um filme sobre Jair Bolsonaro e alcança Flávio — continuava sob sigilo, provocando acusações públicas de tratamento desigual. Só agora, após Fachin intervir e determinar uma abertura muito mais ampla, Mendonça retirou o sigilo de 14 procedimentos além do processo principal. A pergunta política que fica é explosiva: por que, tendo o material havia meses, a transparência começou justamente pelo capítulo que atingia Moraes e favorecia eleitoralmente a narrativa de Flávio Bolsonaro?

Nenhum comentário: