segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

RELIGIÃO E POLÍTICA: "Misturar fé com projeto eleitoral é um desrespeito tanto à religião quanto à inteligência do eleitor"


É uma vergonha.

Misturar fé com projeto eleitoral é um desrespeito tanto à religião quanto à inteligência do eleitor.

A frase do vereador Robson Carvalho publicada nas redes sociais escancara uma prática antiga e oportunista: usar símbolos religiosos para tentar legitimar ambição política. Fé é algo íntimo, pessoal, que não pode ser instrumentalizada como marketing de campanha. Quando um político se coloca como “escolhido”, “chamado” ou abençoado para disputar eleição, ele não está demonstrando devoção — está explorando a crença alheia.

A visita à estátua de São Francisco de Assis, em Riachuelo, vira palco. O discurso religioso vira slogan. O santo vira cabo eleitoral. Isso não tem nada de espiritual e tudo de cálculo político. É uma tentativa clara de capturar o sentimento de um povo simples, majoritariamente religioso, para transformar fé em voto.

O Estado é laico. Mandato se constrói com propostas, preparo, histórico de trabalho e compromisso público — não com apelos místicos, frases ensaiadas e encenação de devoção. Quem precisa se esconder atrás de imagens religiosas para pedir confiança talvez não tenha muito a apresentar no campo das ideias e das realizações.

Robson Pires

ELEIÇÕES 2026: "Um funil estreito demais"


Ser deputado federal é o sonho de consumo de muitos políticos hoje em dia.

Para o ciclo orçamentário de 2026, cada parlamentar pode indicar aproximadamente R$ 40 milhões em emendas individuais.

Com as emendas coletivas — as de bancada e as de comissões —, esse poder de influência aumenta consideravelmente.

Sem falar, ainda, nos recursos oriundos dos fundos partidário e eleitoral.

Portanto, o deputado no exercício do mandato tem grandes chances de reeleição.

Com apenas oito cadeiras em disputa, o funil é estreito no Rio Grande do Norte.

Na foto do momento, apenas três nominatas se mostram competitivas — a do PL, a da federação PT/PV/PCdoB e a da União Progressista (União Brasil/PP).

Havia uma articulação para formar uma quarta nominata, mas ela naufragou.

Juntaria gente de peso da política potiguar — Carlos Eduardo Alves, Kelps Lima, Rafael Motta, Dr. Bernardo, Micarla de Sousa, Abraão Lincoln, entre outros.

Essa turma iria para o MDB, sob o guarda-chuva do vice-governador Walter Alves, que caminhava para assumir o governo.

Diante da decisão de Walter disputar uma vaga na Assembleia Legislativa, a nominata federal do MDB implodiu.

Agora é cada um por si e Deus por todos. Quem tem mandato agradece.

Diógenes Dantas