É uma vergonha.
Misturar fé com projeto eleitoral é um desrespeito tanto à religião quanto à inteligência do eleitor.
A frase do vereador Robson Carvalho publicada nas redes sociais escancara uma prática antiga e oportunista: usar símbolos religiosos para tentar legitimar ambição política. Fé é algo íntimo, pessoal, que não pode ser instrumentalizada como marketing de campanha. Quando um político se coloca como “escolhido”, “chamado” ou abençoado para disputar eleição, ele não está demonstrando devoção — está explorando a crença alheia.
A visita à estátua de São Francisco de Assis, em Riachuelo, vira palco. O discurso religioso vira slogan. O santo vira cabo eleitoral. Isso não tem nada de espiritual e tudo de cálculo político. É uma tentativa clara de capturar o sentimento de um povo simples, majoritariamente religioso, para transformar fé em voto.
O Estado é laico. Mandato se constrói com propostas, preparo, histórico de trabalho e compromisso público — não com apelos místicos, frases ensaiadas e encenação de devoção. Quem precisa se esconder atrás de imagens religiosas para pedir confiança talvez não tenha muito a apresentar no campo das ideias e das realizações.
Robson Pires

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