segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Prefeito de Mossoró fala em "sistema bruto", com Agripino, Garibalde e João Maia ao seu lado. De qual sistema ele tá falando?


Desde que teve o nome citado na Operação Mederi, da Polícia Federal, o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), intensificou uma verdadeira peregrinação por emissoras de rádio e televisão. Longe de adotar uma postura defensiva, o prefeito tem buscado se antecipar ao debate público, apresentar sua versão dos fatos e, principalmente, apontar responsáveis pelo episódio.

Além da ampla exposição midiática, Allyson passou a atribuir o caso à ação de um suposto “sistema bruto” — o mesmo que, segundo ele, teria atuado no passado para impedir que alcançasse a Prefeitura de Mossoró. Esse “sistema”, na narrativa do prefeito, seria formado por grupos políticos tradicionais que há décadas comandam a política potiguar e que não aceitariam interferências de nomes externos ao seu círculo de poder. Como exemplo, citou o grupo Rosado, que, segundo ele, permaneceu no comando da cidade por mais de 70 anos.

Mas afinal, de que “sistema” Allyson está falando?

É oportuno lembrar que Rosalba Ciarlini, ex-prefeita de Mossoró e principal liderança do grupo Rosado, sempre teve como referência política o ex-senador José Agripino Maia — que, por ironia ou conveniência, é hoje apontado como um dos principais aliados de Allyson Bezerra.

Diante disso, cabe a pergunta: José Agripino Maia, João Maia e Garibaldi Alves Filho — figuras centrais da política potiguar há décadas — fazem ou não parte desse “sistema” que o prefeito tanto critica?

É apenas uma pergunta.

ARTIGO: "A justiça sob o clarão das aparências"


Por Ricardo Valentim

Professor Associado da UFRN

A Justiça nem sempre comporta a moral, especialmente quando esta se reduz a uma estética aplicada ao senso comum — um território árido onde o pensamento crítico costuma ser recebido com repulsa. Em ciclos de extremismo, a elevação de uma moralidade dogmática acima do Direito constitui um risco democrático latente, pois abdica-se da segurança das normas em favor da tirania das aparências e do julgamento sumário. 

Essa estética, frequentemente manipulada para influenciar um senso comum polarizado, não é um subproduto inocente, mas uma ferramenta desenhada para servir a interesses ocultos sob o manto da virtude.

O passado recente brasileiro, ilustrado pela Lava Jato, oferece um exemplo nítido dessa armadilha: uma narrativa anticorrupção esteticamente impecável e politicamente correta que, anos depois, revelou camadas de interesses que pouco tinham a ver com a pureza do Direito. Hoje, testemunhamos o desdobramento de um movimento similar, mas com alvos regenerados. 

O Judiciário brasileiro encontra-se sob ataques vis, onde o lawfare é instrumentalizado para institucionalizar uma estética polida pela imprensa e pulverizada pelo algoritmo das redes sociais.

O perigo reside na tentativa deliberada de confundir essa moralidade de ocasião com a própria Justiça. Quando o senso comum exige que o tribunal seja o carrasco de suas vontades, ele ignora que a democracia sobrevive justamente na distância segura entre o clamor das massas e o rigor da lei. 

Defender as instituições contra essa investida não é uma escolha ideológica, mas uma necessidade de sobrevivência civilizatória; afinal, quando a estética da indignação vence a técnica jurídica, o que resta não é a justiça, mas um espetáculo de conveniências que, cedo ou tarde, cobrará o seu preço de todos nós.

FONTE: opotiguar.com.br

Padre critica Níkolas Ferreira durante a missa: "Não adianta fazer uma marcha para Brasília alguém que nunca fez um projeto a favor do povo"


Durante missa celebrada no Santuário Nacional de Aparecida, em São Paulo, o padre Ferdinando Marcílio fez críticas ao que classificou como incoerência entre o discurso cristão e a defesa de armas, da violência e do uso político da fé. A homilia, transmitida ao vivo pelo portal A12, ligado à TV Aparecida, teve ampla repercussão nas redes sociais.

Sem citar diretamente partidos, o sacerdote criticou lideranças políticas religiosas e mencionou o deputado federal bolsonarista Nikolas Ferreira (PL-MG). Para o padre, há uma contradição entre pregar a defesa da vida e apoiar propostas que estimulam o confronto armado.

“Não adianta fazer uma marcha para Brasília alguém que nunca fez um projeto a favor do povo e dizer que está defendendo a vida. Mentira. Quer o poder”, afirmou.

Na homilia, Marcílio questionou a compatibilidade entre os ensinamentos de Jesus e instrumentos criados para ferir ou matar. Segundo ele, seguir o cristianismo exige uma postura clara em favor da vida e da paz, o que inclui rejeitar discursos que incentivem a violência.

O padre também condenou o uso da religião como ferramenta de projeção política. De acordo com ele, há quem utilize a fé para conquistar apoio e poder, enquanto ignora problemas como a fome, a miséria e o sofrimento enfrentado por grande parte da população.

Ao final, reforçou que a vivência cristã pressupõe compromisso concreto com os mais pobres, atenção aos necessitados e defesa da justiça social.

FONTE: opotiguar.com.br