quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

O "Sonho de Ícaro" do ex-prefeito de Santana do Seridó


“Sonho de Ícaro” é uma expressão usada para definir ambições desmedidas, projetos grandiosos que ignoram limites, riscos e a própria realidade. Quase sempre carrega um aviso embutido: pode dar ruim.

A metáfora vem da mitologia grega. Ícaro conseguiu fugir do labirinto com asas feitas de cera e penas, mas, tomado pela euforia, voou alto demais. Aproximou-se do sol, a cera derreteu e ele despencou no mar. A lição é clara: quem ignora limites por vaidade ou excesso de confiança costuma pagar um preço alto.

Pois bem. Em meio à Festa do Padroeiro, o ex-prefeito de Santana do Seridó resolveu externar à imprensa o sonho de ser prefeito de sua terra natal, Parelhas. Nada de anormal. Todo parelhense que vive a política — e gosta dela — nutre esse desejo. Uns de forma silenciosa, outros nem tanto.

A “Festa de Janeiro” passou e com ela o entusiasmo das conjecturas. Ninguém mais fala sobre isso. Em Parelhas, o assunto morreu de morte natural. Não virou pauta, não criou eco, não empolgou.

Já em Santana do Seridó, onde o ex-prefeito foi “rei” por muitos anos, o sentimento de parte da população é outro. Há quem diga que, caso dispute as eleições de 2028, ele poderá enfrentar dificuldades até mesmo para se eleger vereador — avaliação que, particularmente, considero exagerada.

O fato é que o ex-alcaide sonha em voar alto. O problema é que o sol escaldante da política parelhense pode derreter suas asas de cera, fazendo-o cair de forma tão brusca quanto o Ícaro da mitologia — tão bem retratado, aliás, na canção de Biafra, "Sonho de ícaro", sucesso dos anos 80.

Na política, prudência nunca é demais. Talvez seja hora de o nobre ex-mandatário colocar as barbas de molho.

Ezequiel confirma eleição indireta com voto aberto e não descarta assumir governo se Fátima renunciar


O presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, Ezequiel Ferreira (PSDB), confirmou nesta terça-feira 3 que a eleição indireta para o Governo do Estado será realizada com voto aberto – ou seja, o público saberá em qual candidato cada deputado votou.

A eleição indireta está prevista para acontecer na Assembleia Legislativa até abril, diante das renúncias anunciadas da governadora Fátima Bezerra (PT) e do vice-governador Walter Alves (MDB) antes do fim do mandato. Como pretendem ser candidatos no pleito de outubro, Fátima e Walter precisam deixar os cargos até 4 de abril de 2026.

“A eleição se daria aqui na Assembleia com o voto aberto. Eu já defini que o voto seria aberto”, afirmou Ezequiel, em conversa com jornalistas na abertura dos trabalhos legislativos em 2026.

Ezequiel também não descartou assumir o governo temporariamente no intervalo entre as renúncias e a eleição dos sucessores. Segundo a Constituição, nesse período, o governo deve ser exercido pelo presidente da Assembleia Legislativa ou pelo presidente do Tribunal de Justiça – atualmente, o desembargador Ibanez Monteiro. Ele, no entanto, afirmou que essa discussão só irá acontecer se forem confirmadas as renúncias.

“Ou assumo eu para fazer a eleição ou assume o presidente do Tribunal de Justiça para fazer a eleição. Mas tudo isso nós estamos em conjectura. Porque não existe a vacância ainda. Portanto, sem a vacância não tem eleição. Só tem eleição com a dupla vacância”, declarou o presidente da Assembleia.

ELEIÇÕES 2026: "Renúncia da governadora divide o PT e expõe impasse interno"


Há duas leituras distintas dentro do Partido dos Trabalhadores no Rio Grande do Norte sobre a atuação em 2026, segundo fontes ouvidas pelo blog. 

Um dos campos defende concentrar todo o projeto eleitoral em Cadu Xavier, avaliando como elevada a dificuldade de viabilizar uma eleição indireta competitiva. Nessa linha, a governadora Fátima Bezerra cumpriria integralmente o mandato, evitando o desgaste de um esforço político considerado de solução complexa: vencer uma eleição sem estar no cargo e sem controle da máquina.

Outra ala, porém, sustenta a manutenção dos canais de negociação e do diálogo com os diversos atores políticos, preservando a possibilidade da eleição indireta. A estratégia passa por acompanhar de perto as movimentações do tabuleiro e esticar a pré-candidatura de Fátima Bezerra até o início de abril de 2026, prazo-limite para eventual desincompatibilização. 

As reuniões internas têm sido descritas como acaloradas, mas ainda sem uma definição consolidada, indicando que o partido segue em compasso de espera enquanto avalia riscos, custos e oportunidades do caminho a seguir.

FONTE: opotiguar.com.br