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quarta-feira, 15 de junho de 2016

CUNHA E DILMA SEGUEM O MESMO CAMINHO

Quando percebeu que seria implodido pelos desdobramentos da Operação Lava Jato, Eduardo Cunha buscou uma aliança com Dilma Rousseff. Conversaram. Chegaram a um pré-entendimento. Ela lhe forneceria os três votos do PT no Conselho de Ética. E ele manteria na gaveta o pedido de impeachment. Súbito, o PT decidiu roer a corda. E Cunha avisou aos aliados que explodiria o governo. Imaginava-se portador de um destino. Acabou virando uma fatalidade.
Suprema ironia: Cunha percorre o mesmo caminho que havia traçado para Dilma. Com os seus empurrões, ela foi afastada da Presidência da República. Mas o STF também o expurgou da presidência da Câmara. Ela está exilada no Alvorada. Ele, desfruta das mordomias da residência oficial. Ela foi traída por aliados. Ele, que esperava prevalecer no Conselho de Ética por 11 votos a 9, foi derrotado pelo mesmo placar graças a duas defecções: Tia Eron (PRB-BA) e, surpresa (!), espanto (!!), estupefação (!!!), até Wladimir Costa (Solidariedade-PA).
Dilma será julgada pelo plenário do Senado. Cunha, pelo plenário da Câmara. Ambos devem ser enviados para casa mais cedo. O nome do jogo mudou. Chama-se agora Opinião Pública. É mais um feito da Lava Jato: a Opinião Pública passou a ter alguma importância no Brasil. Mas convém adiar o estouro dos fogos. Vem aí a disputa pela cadeira de Cunha.
Antes mesmo da palavra final do plenário, os aliados de Cunha, já meio cansados de tanta lealdade, se equipam para eleger um substituto. Essa tribo é conhecida. É gente que não adiaria ou cancelaria nenhuma nova mumunha, nenhum novo conluio em nome do prestígio tardio da Opinião Pública. Vêm aí fortes emoções. Convém retirar as crianças da sala.
Josias de Souza




 

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