quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

PERGUNTAR NÃO OFENDE: " Se ninguém quer assumir agora o RN, por que tantos querem governar depois?"


A pergunta continua válida, mas o enquadramento precisa ser justo.

No Rio Grande do Norte, a eventual saída de Fátima Bezerra para disputar o Senado abre um cenário institucional específico. O vice-governador, Walter Alves, sinaliza que não pretende assumir o comando do Estado por razões legítimas de projeto político-partidário e pessoal. Trata-se de uma escolha estratégica, comum na política, e absolutamente válida. Da mesma forma, Ezequiel Ferreira de Souza nunca construiu sua trajetória com o objetivo de disputar o Governo do Estado, assumir o Executivo jamais foi parte de seu plano político.

Ainda assim, a leitura apressada tenta vender a ideia de que “ninguém quer o cargo porque o Estado está ingovernável”. Esse raciocínio falha ao ignorar o dado mais evidente do cenário: há diversos nomes colocados para disputar o Governo nas próximas eleições.

Se o Rio Grande do Norte estivesse, de fato, ingovernável, não haveria fila para a disputa. O que existe é outra coisa: um mandato tampão curto, sem densidade política, sem tempo de gestão para um futuro político.

Transformar essa prudência em narrativa de colapso institucional interessa a quem precisa construir um discurso de terra arrasada. Mas o paradoxo permanece: quem diz que ninguém quer governar é o mesmo campo que apresenta vários candidatos ao governo.

No fundo, o debate não é sobre ingovernabilidade. É sobre estratégia, tempo e narrativa. E quem confunde isso ou finge confundir, aposta mais no slogan do que na realidade.

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