Hoje é fácil ser Bicudo. Assim como foi fácil ser Bacurau no início dos anos 2000.
Também é cômodo se declarar petista nos dias atuais, em tempos de “vacas gordas”, com mandato, estrutura e espaço no poder.
Mas nem sempre foi assim. Os fundadores do PT em Parelhas sabem bem disso.
No fim dos anos 90, ser petista era quase sinônimo de ousadia — ou, para muitos, de “loucura”. Não havia cargos, não havia força institucional. Havia apenas convicção. Hoje, com deputado e governo, o cenário é outro: é mais confortável, mais visível e politicamente mais rentável.
O mesmo se aplica a outros grupos.
Estar ao lado do prefeito Dr. Tiago, com cerca de 90% de aprovação popular, é uma posição segura. Mas poucos lembram que houve um tempo em que o grupo passou quase 20 anos sem eleger um prefeito, mantendo-se como minoria na Câmara.
Foi nesse contexto adverso que o hoje vice-prefeito Humberto teve coragem de enfrentar um prefeito com mais de 80% de aprovação. Naquela ocasião, o grupo enfrentou dificuldades até para encontrar quem aceitasse compor como candidato a vice.
Em 2016, quando Dr. Tiago decidiu enfrentar o sistema estabelecido, foram poucos os que acreditaram em sua vitória — inclusive alguns dos que hoje dividem sua mesa.
A verdade é simples: ser Bicudo, petista ou Bacurau por conveniência é sempre mais fácil quando o vento sopra a favor. Difícil é permanecer quando os ventos são contrários, quando não há estrutura, cargos ou garantias.
Convicção se prova na adversidade. Conveniência, no poder.
E infelizmente, na política, muitas vezes os que mudam de lado acabam sendo os mais valorizados — ainda que não sejam, necessariamente, os mais confiáveis.
É o que pode se chamar de "lealdade com prazo de validade".

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