O eleitor mais atento já percebeu que Rafael Motta e Samanda Alves passaram a investir numa estratégia clara: empurrar a senadora Zenaide Maia para o campo da direita e da oposição estadual.
O objetivo é simples: associá-la ao projeto político de Allyson Bezerra e ao afastamento do grupo da governadora Fátima Bezerra, para reivindicar para si a condição de representantes legítimos do lulismo no Rio Grande do Norte.
Não se trata de um ataque frontal. Pelo menos por enquanto.
As mensagens são indiretas, mas suficientemente claras para quem acompanha os bastidores. Rafael publicou que é preciso “descer do muro”. Samanda afirmou que “político não nasceu para ser neutro”.
Nenhum dos dois citou Zenaide nominalmente. Nem precisava. O destinatário era evidente.
A ofensiva tem lógica eleitoral.
Samanda e Rafael disputam praticamente o mesmo eleitor. Ambos dependem do voto de esquerda, do eleitor identificado com Lula e da base política ligada ao PT. Nesse terreno, Zenaide continua sendo uma adversária relevante.
Afinal, apesar do rompimento com o grupo governista potiguar, ela permanece vice-líder do governo Lula no Senado e mantém um histórico de posições progressistas que dificultam qualquer tentativa de enquadrá-la automaticamente no campo conservador.
É justamente essa ambiguidade que está sob ataque.
Em Brasília, Zenaide está ao lado de Lula. No Rio Grande do Norte, está ao lado de Allyson Bezerra. E não apenas do ex-prefeito de Mossoró: também caminha com José Agripino Maia, Robinson Faria, João Maia e outros nomes da direita.
O problema para Rafael e Samanda é que essa posição híbrida permite à senadora conversar simultaneamente com setores do centro, da esquerda e com parcelas do eleitorado moderado que não desejam embarcar na polarização.
Por isso, a pressão para que Zenaide escolha um lado.
Mas Zenaide não nasceu ontem. Conhece o jogo. E, ao que tudo indica, tentará manter a estratégia de sempre: um pé lá e outro cá.
Agora RN

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