O senador Rogério Marinho (PL-RN) elevou o tom ao criticar quem defende o fim da escala 6x1. Em declaração durante as discussões da proposta, o parlamentar classificou como “burro, leviano e incompetente” quem apoia a mudança na jornada de trabalho — incluindo, na prática, trabalhadores que defendem a medida.
A declaração provocou reação do relator da PEC, senador Omar Aziz, que lembrou ao parlamentar potiguar que mais de 60 deputados do próprio PL votaram favoravelmente ao texto na Câmara.
Aziz também criticou a proposta apresentada por Rogério Marinho, que prevê uma jornada mais flexível mediante negociação direta entre patrão e empregado. Para o relator, a medida pode aumentar a pressão sobre os trabalhadores. “É um projeto para patrões”, afirmou, argumentando que acordos individuais podem abrir espaço para assédio e desequilíbrio na relação trabalhista.
Rogério Marinho é uma das principais figuras associadas à Reforma Trabalhista aprovada durante o governo Michel Temer. A legislação alterou diversos pontos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), regulamentou a terceirização e criou, entre outras mudanças, a modalidade de trabalho intermitente.
A PEC que trata do fim da escala 6x1 está em análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e poderá avançar para o Plenário.
O debate promete ser um dos mais polêmicos do Congresso. De um lado, estão os defensores da redução da jornada e de mais tempo de descanso para os trabalhadores. Do outro, parlamentares que argumentam que a mudança poderá aumentar custos e gerar impactos para empresas e empregos.
No centro da discussão, uma questão ganhou ainda mais força após as declarações de Rogério Marinho: por que chamar de “burro” quem defende uma proposta que também recebeu o voto favorável de dezenas de parlamentares do próprio PL?
A votação deverá colocar novamente em lados opostos diferentes setores do Congresso e reacender a discussão sobre jornada de trabalho, direitos trabalhistas e os limites da negociação entre patrões e empregados.

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