Faltam pouco mais de 20 dias para acabar a temporada das dancinhas, dos abraços calculados, dos apertos de mão diante das câmeras e das intermináveis firulas eleitorais.
A partir daí, não haverá edição de vídeo, filtro de Instagram ou fotografia ao lado de uma liderança capaz de esconder o resultado das urnas.
Durante a campanha, tem candidato que parece conhecer todo mundo, abraçar todo mundo, ser amigo de todo mundo e ter apoio de todo mundo. É um espetáculo cuidadosamente produzido para as redes sociais: muita pose, muita promessa, muita comemoração e, não raramente, pouca consistência.
Mas eleição não se ganha no palco das redes sociais.
E, muito menos, no TikTok.
A política real é bem menos bonita que a propaganda. Ela acontece nos bastidores, nas comunidades, nas conversas olho no olho e, sobretudo, na capacidade de transformar discurso em confiança — e confiança em voto.
É justamente por isso que a reta final costuma ser cruel.
É quando a maquiagem começa a borrar.
A liderança que aparecia como “gigante” precisa mostrar quantos votos realmente entrega. O grupo anunciado como “fortíssimo” precisa provar que existe para além das fotografias. O candidato que dizia estar “crescendo” terá de descobrir se estava crescendo mesmo ou apenas inflando as próprias redes sociais.
Porque há uma diferença enorme entre parecer forte e ter voto.
Agora o tempo apertou.
Não há mais espaço para passar semanas inteiras encenando uma campanha perfeita. É hora de apresentar resultado, convencer indecisos, consolidar apoios e, principalmente, fazer o eleitor acreditar que aquele nome merece o voto.
Quem tiver trabalho feito terá o que mostrar.
Quem tiver liderança real terá quem caminhe ao seu lado.
Quem tiver voto saberá onde ele está.
E quem tiver apenas dancinha, abraço, aperto de mão e firula vai descobrir, talvez tarde demais, que algoritmo não vota.
No fim das contas, a urna não registra quem fez o vídeo mais engraçado, quem abraçou mais gente ou quem conseguiu a fotografia mais compartilhada.
A urna é implacável.
Ela não curte. Ela não comenta. Ela não compartilha. Ela simplesmente conta.
A festa está acabando...

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