quarta-feira, 9 de setembro de 2026

RETA FINAL: "Faltam pouco mais de 20 dias para acabar as dancinhas, abraços, aperto de mãos e firulas"


Faltam pouco mais de 20 dias para acabar a temporada das dancinhas, dos abraços calculados, dos apertos de mão diante das câmeras e das intermináveis firulas eleitorais.

A partir daí, não haverá edição de vídeo, filtro de Instagram ou fotografia ao lado de uma liderança capaz de esconder o resultado das urnas.

Durante a campanha, tem candidato que parece conhecer todo mundo, abraçar todo mundo, ser amigo de todo mundo e ter apoio de todo mundo. É um espetáculo cuidadosamente produzido para as redes sociais: muita pose, muita promessa, muita comemoração e, não raramente, pouca consistência.

Mas eleição não se ganha no palco das redes sociais.

E, muito menos, no TikTok.

A política real é bem menos bonita que a propaganda. Ela acontece nos bastidores, nas comunidades, nas conversas olho no olho e, sobretudo, na capacidade de transformar discurso em confiança — e confiança em voto.

É justamente por isso que a reta final costuma ser cruel.

É quando a maquiagem começa a borrar.

A liderança que aparecia como “gigante” precisa mostrar quantos votos realmente entrega. O grupo anunciado como “fortíssimo” precisa provar que existe para além das fotografias. O candidato que dizia estar “crescendo” terá de descobrir se estava crescendo mesmo ou apenas inflando as próprias redes sociais.

Porque há uma diferença enorme entre parecer forte e ter voto.

Agora o tempo apertou.

Não há mais espaço para passar semanas inteiras encenando uma campanha perfeita. É hora de apresentar resultado, convencer indecisos, consolidar apoios e, principalmente, fazer o eleitor acreditar que aquele nome merece o voto.

Quem tiver trabalho feito terá o que mostrar.

Quem tiver liderança real terá quem caminhe ao seu lado.

Quem tiver voto saberá onde ele está.

E quem tiver apenas dancinha, abraço, aperto de mão e firula vai descobrir, talvez tarde demais, que algoritmo não vota.

No fim das contas, a urna não registra quem fez o vídeo mais engraçado, quem abraçou mais gente ou quem conseguiu a fotografia mais compartilhada.

A urna é implacável.

Ela não curte. Ela não comenta. Ela não compartilha. Ela simplesmente conta.

A festa está acabando...

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