segunda-feira, 19 de outubro de 2026

O adulto da sala e o moleque: o debate que não aconteceu


Por Ricardo Noblat

De um lado, o presidente da República que, se fosse pego mentindo, ficaria mal, muito mal na foto. Do outro, um candidato que poderia mentir à vontade, porque é o que ele faz a vida inteira, e sem ser punido. Aprendeu com o pai, condenado e preso não por mentir, mas por tentativa de golpe de Estado para abolir a democracia.

O resultado do debate da Band entre Lula, que ambiciona se reeleger, e Flávio, candidato a anistiar o pai e os demais golpistas do 8 de janeiro de 2023, foi um só: não houve debate. Lula havia se preparado para o confronto de ideias sobre os principais temas de interesse dos brasileiros. Flávio, por sua vez, preparou-se para xingar Lula e não responder a nada.

Lula foi o adulto da sala; Flávio, o moleque que se comportou como se fosse um robô treinado com a ajuda da Inteligência Artificial. Disseram-lhe que seria de bom tom — a exemplo do que fez Donald Trump uma vez — postar-se atrás do seu adversário e fazer caras e bocas para distraí-lo e irritá-lo enquanto ele falasse. E assim foi.

Orientaram Flávio para que respondesse com outra pergunta a qualquer questionamento que Lula fizesse, e assim também se sucedeu. De resto, pediram-lhe que reciclasse todas as notícias falsas disseminadas por sua campanha até aqui. Se deu certo para ele? É o que poderá vir a ser medido nas próximas pesquisas de intenção de voto.

O debate deu lugar a uma briga de galos ao gosto do falecido marqueteiro baiano Duda Mendonça, que não perdia uma. Quem vota em Lula seguirá votando; quem vota em Flávio, também. Lula tentou falar para fora das duas bolhas, enquanto Flávio contentou-se em falar apenas para a sua. Um moleque não tem condições de governar o Brasil.

Quem bicou por último foi Lula, ao desafiar Flávio a abrir seus sigilos bancário e telefônico em troca do dele, para que fique claro qual dos dois é ladrão. Flávio ignorou a proposta, apesar da insistência do seu oponente. Será inapelavelmente cobrado por isso até o próximo domingo e depois dele, vença ou perca a eleição.

Há uma semana, os bolsonaristas exaltavam as pesquisas de opinião pública. Agora, passaram a desacreditá-las. 

A semana promete...

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